LGPD para salão e barbearia: o que fazer com o telefone dos clientes
Se você anota nome, telefone, aniversário ou histórico de atendimento dos seus clientes — no caderno, na planilha ou num sistema —, você trata dados pessoais. A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) vale para negócios de qualquer tamanho, inclusive MEI e profissional autônomo.
A boa notícia: para um salão, barbearia ou studio, o que a lei pede é bem mais simples do que parece. Este texto é uma orientação geral, não parecer jurídico — para caso concreto, procure um advogado.
O que a lei considera dado pessoal no seu dia a dia
- nome, telefone, e-mail, endereço;
- data de nascimento;
- foto do cliente (inclusive foto de "antes e depois");
- histórico de atendimentos, preferências e observações que você anota;
- qualquer informação de saúde — alergia, gravidez, condição de pele ou couro cabeludo. Essa categoria é dado sensível e exige cuidado redobrado.
Você pode guardar. Só precisa de motivo e limite
Guardar o telefone de quem você atende para marcar horário, lembrar do compromisso e retomar contato é uso legítimo e esperado. Os cuidados que importam:
- Colete o necessário. Para marcar um corte você precisa de nome e telefone. Não precisa de CPF, RG nem endereço. Dado que você não guarda é dado que você nunca vaza.
- Use para o que foi coletado. Telefone dado para agendar serve para avisar de horário. Usar a mesma lista para disparar promoção é outra finalidade — e aí você precisa de consentimento, além de respeitar quem pedir para sair.
- Não repasse. Vender ou emprestar sua lista de clientes para terceiros é o tipo de uso que a lei mira diretamente.
As cinco coisas práticas que resolvem 90% do assunto
- Avise, em uma frase. "Guardamos seu nome e telefone para agendar e lembrar do seu horário." Pode estar na sua página de agendamento ou num aviso no balcão. Transparência é o coração da lei.
- Peça autorização para foto, sempre. Publicar antes e depois sem o cliente ter concordado é o problema mais comum do setor. Um "posso postar?" por escrito no WhatsApp já resolve — e guarde a resposta.
- Proteja o acesso. Celular com senha, sistema com senha própria para cada pessoa da equipe, e nada de planilha de clientes circulando em grupo de WhatsApp.
- Respeite o pedido de saída. Cliente que pede para não receber mais mensagem, ou para apagar o cadastro, tem direito. Cumpra e confirme que foi feito.
- Cuidado redobrado com saúde. Anotação de alergia ou condição de pele existe para o atendimento ser seguro. Não vira assunto de conversa nem post.
E se você usa um sistema de agendamento?
Parte da responsabilidade passa a ser compartilhada com quem fornece o sistema, mas não some: os dados continuam sendo dos seus clientes e a relação é com você. Vale conferir três coisas antes de escolher:
- o sistema tem política de privacidade publicada;
- a conexão é segura (cadeado no navegador, endereço https);
- você consegue apagar a sua conta e os dados quando quiser.
O que não fazer, nunca
- comprar lista de telefones e disparar mensagem (viola a LGPD e é o caminho mais rápido para o seu número ser bloqueado — veja as regras do WhatsApp);
- publicar foto de cliente sem autorização;
- comentar informação de um cliente com outro;
- deixar o caderno de agendamentos aberto no balcão, à vista de quem passa.
No fim, quase tudo se resume a uma ideia simples: trate o dado do cliente com o mesmo cuidado com que você gostaria que tratassem o seu. O HoraFixa guarda os agendamentos com acesso protegido por senha, tem política de privacidade publicada e permite excluir a conta e os dados a qualquer momento.
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